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O papel do psiquiatra no século XXI

Primeiramente gostaria de destacar 6 aspectos relevantes da psiquiatria, que podem contribuir para o seu entendimento da atualidade.


1. Psiquiatria na sociedade atual

2. Declaração da OMS sobre a pandemia e “choque traumático coletivo”

3. Reação aguda ao estresse

4. Agentes internos

5. Agentes externos

6. Fatores endógenos e exógenos de manipulação de massa

7. Conclusão


1. Psiquiatria na sociedade atual


Os médicos podem desempenhar diversas funções: na assistência médica, desde acolhimento, orientação, diagnóstico e tratamento; além da parte educativa para prevenção de doenças e promoção da saúde.


Porém é muito importante, neste momento, voltarmos a nossa atenção sobre o papel do psiquiatra na sociedade. A grande colaboração que nós podemos oferecer, como diferencial das demais especialidades médicas, converge para o esclarecimento personalizado aos pacientes a respeito do contexto atual, principalmente devido ao impacto da pandemia e suas consequências.


Tendo por princípio que o indivíduo se constitui, progressivamente, a partir da interação consciente e dinâmica entre o mundo interior e o mundo exterior, tornou-se um desafio maior manter o equilíbrio psíquico em face à complexidade da sociedade globalizada.


Portanto, uma das funções prioritárias do psiquiatra é auxiliar que o indivíduo estabeleça a sua compreensão de mundo, baseada em sua história, seus valores e propósito existencial.


2. Declaração da OMS sobre a pandemia e o “choque traumático coletivo”


Após a declaração inicial da OMS – Organização Mundial de Saúde - sobre pandemia (11/03/2020), realmente, houve uma mudança brusca na rotina da vida familiar, profissional e social, em decorrência do choque traumático a que a população mundial foi submetida.


Em verdade, fomos informados da pandemia de forma alarmante: através de imagens de pessoas idosas fragilizadas, hospitalizadas em leitos de UTI, com uso de respiradores artificiais. Notoriamente, diante de cenas mostrando o sofrimento humano, veiculadas pela mídia de modo sistemático, houve generalizada consternação e abalo emocional, perceptível pela atmosfera de medo e angústia instalada no ambiente social.


Sabemos que, para lidar com o estresse, ou seja, com uma determinada situação que gerou um impacto emocional, cada pessoa apresenta de acordo com seu repertório de enfrentamento, adquirido ao longo da vida, uma reação individual imediata que pode ser manifestada por sintomas como ansiedade, angústia, insônia, taquicardia, enxaqueca entre outros.


Porém, a peculiaridade da gestão desta pandemia de Covid-19 tem sido a renovação contínua dos estímulos (cenas, máscaras e outros símbolos, reportagens, etc.) reativando os gatilhos de lembranças dolorosas, medo da morte, angústia e ansiedade. Propositalmente, não é realizada a divulgação massiva de informações e imagens, de fatos reais mais positivos, inclusive com testemunhos de recuperados a partir do tratamento imediato.


Tampouco é debatido publicamente sobre a importância da profilaxia e da melhoria da imunidade. Há 1 ano e 10 meses, estratégias de manipulação de massas têm sido utilizadas por gestores e pela mídia na direção da perpetuação da pandemia do pânico, e não, da superação do choque traumático.


3. Reação aguda ao estresse


É importante ressaltar que essa reação aguda ao estresse é baseada na história prévia e no repertório de enfrentamento que o indivíduo adquiriu ao longo da jornada da vida. A biografia e as características com que essa pessoa enfrentou situações de dificuldade anteriores, definirão as características desta reação aguda ao estresse: se teve perdas de familiares e de pessoas queridas, qual a capacidade de superação dos obstáculos, dos desafios cotidianos e das fases de desenvolvimento e também o grau de vulnerabilidade em que se encontrou no passado ou em que se encontra no presente.


Tudo isso precisa ser levado em consideração ao se iniciar um tratamento psiquiátrico. É de muita relevância sabermos a história do paciente para podermos oferecer-lhe as melhores condições de tratamento, incluindo a indicação de medicamentos, outros recursos terapêuticos e abordagem psicoterápica.



4. Agentes internos


Fatores endógenos atuam na identidade do indivíduo, na constituição física-orgânica. Para que possam entender melhor, seguem alguns exemplos destes fatores:

· A estrutura psíquica: neurose ou psicose;

· Temperamento: melancólico, fleumático, sanguíneo, colérico;

· Personalidade: predominantemente ansiosa, controladora, medrosa;

· Cultivo ou não da religiosidade/espiritualidade.


Em conjunto, estes elementos constituem as características individuais físicas e psíquicas que se manifestam como bem-estar ou adoecimento ao interagirem com as condições de vida real do ser humano.



5. Agentes externos


Já estes são fatores exógenos que atuam sobre o pensamento, emoções/sentimentos e comportamento do indivíduo. O ser humano é constituído por suas dimensões físico-orgânica, emocional e psíquica ou seja, corpo, alma e espírito.


É imprescindível, portanto, que o indivíduo aprenda a integrar o mundo interno ao mundo externo, agindo conscientemente, de forma seletiva e em coerência com seus valores, para manter sua saúde física e psíquica como base para seu propósito evolutivo.



6. Fatores endógenos e exógenos de manipulação de massa


Além de se preocupar com a sua saúde física e prevenção e tratamento da Covid-19, é importante estar alerta e bem informado sobre outros aspectos muito influentes sobre sua saúde mental.


Destaco como duas fatores mais relevantes:


· O papel da mídia e a influência sobre a opinião pública:

Autoridades reais (médicos com prática clínica e cientistas sem conflito de interesse) X Autoridades “supostas” (médicos com conflitos de interesses, jornalistas, artistas, políticos, juízes...)


· “Conformidade de grupo”:

Aprovação social X Atitude coerente; sensação de pertencimento ao grupo prevalece sobre a percepção do fenômeno pelos próprios órgãos do sentido.


A carência afetiva e a insegurança psicológica, na maioria das vezes, predominam sobre a consciência do indivíduo, gerando comportamento chamado “conformidade de grupo”, em que o indivíduo abre mão de agir corretamente, de acordo com suas percepções sensoriais e convicções, para acompanhar a decisão do grupo.


A peculiaridade da gestão desta pandemia de Covid-19 tem sido a renovação contínua dos estímulos (cenas, máscaras e outros símbolos, reportagens, etc.) reativando os gatilhos de lembranças dolorosas, medo da morte, angústia e ansiedade.


Propositalmente, não é realizada a divulgação massiva de informações e imagens, de fatos reais mais positivos, inclusive com testemunhos de recuperados a partir do tratamento imediato da Covid-19. Tampouco é debatido publicamente sobre a importância da profilaxia e da melhoria da imunidade.


Há 1 ano e 10 meses, estratégias de manipulação de massas têm sido utilizadas por gestores e pela mídia na direção da perpetuação da “pandemia do pânico”, e não, da superação do choque traumático. Neste ambiente fomenta-se que a reação aguda ao estresse, ocorrida no início da pandemia, torne-se cronificado, ao longo do tempo, em estresse pós-traumático (prolongado por reativação de gatilhos), transtorno de adaptação, fobias, transtorno obsessivo-compulsivo, depressão, dentre outras patologias psiquiátricas.



7. Conclusão


Por fim, com relação a pandemia, reconhecemos o sofrimento físico e psíquico vivido por bilhões de pessoas em proporções planetárias.


No entanto, é importante ressaltar que uma situação de tamanha complexidade também proporciona oportunidade de aprendizado e aprimoramento pessoal.


Convido-o a fazer as suas reflexões e tentar identificar:


· Quais são os seus agentes internos característicos e relacionados com a sua história?

· Quais são as suas habilidades para enfrentar o momento e para se adaptar aquilo que é possível?

· Quais são realmente os fatores externos de risco no seu caso?

· Quais são os elementos de manipulação de comportamento que te afetaram?

· Quais são os seus limites de aceitação de mudança de comportamento? De quais valores você não abre mão?


É preciso uma reflexão detalhada, minuciosa, com a tranquilidade necessária para poder ver os fatos com objetividade, sem estar tão emocionalmente vulnerável, porque essa emoção que transborda, perturba a capacidade de análise.


Devido à complexidade e a vários elementos usados de forma orquestrada e maciça em amplitude mundial, este cenário vai exigir, sim, mais consciência da sua parte. Para que haja um resultado produtivo, positivo, essa sua reflexão precisa-se tornar, então, uma atitude concreta como um passo evolutivo na sua biografia.


Dra. Ana Cristina C. L. Malheiros







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